Não muito tempo atrás, a TV 3D era um artigo que pertencia à ficção científica. Hoje é uma realidade possível de ser adquirida por qualquer pessoa.
Vamos tirar suas dúvidas sobre a tecnologia 3D. O que você sabe?
Pode ser que você seja um fã das novas tecnologias e costume entrar em listas de espera para comprar o que há de mais novo no mercado. Neste caso, já deve ter ouvido falar sobre algumas características da TV 3D. Se for maníaco por Home Theater e tudo que há que qualidade em áudio e vídeo, provavelmente está louco para ter uma dessas na sua sala. Mas antes de comprar a primeira TV 3D que vier pela frente, informe-se bem sobre todas as suas características para não errar na escolha.
História da tecnologia 3D no cinema
Por incrível que pareça, esta tecnologia começou a ser desenvolvida há muito tempo. O primeiro filme comercial a usar 3D foi o mudo The Power of Love, já com os famosos óculos bicolores, que funcionavam como um filtro para a projeção das duas imagens, cada uma visível apenas por uma das lentes. Mas o processo usado na época, Fairhall-Elder 3-D, provou ser desconfortável para os olhos, além de não ser totalmente compatível com o cinema a cores. Portanto, foi abandonado!
O cinema 3D só retornou aos Estados Unidos como uma verdadeira febre nos anos 1950, com o filme Bwana Devil, um raro fenômeno de bilheteria que foi contra a maré de baixas vendas que as salas sofriam com o advento da televisão.
Dessa vez, a tecnologia utilizada foi a mais sofisticada: para eliminar os problemas do processo anterior, foi desenvolvido um novo sistema, o Natural Vision, adotado nos filmes que o sucederam.
Mas o grande sucesso do 3D foi marcado pelo filme House of Wax (Museu de Cera), da Warner Brothers, com Vincent Price no elenco. Este permaneceu como o filme 3D de maior bilheteria até o ano de 1969. Curiosamente, o diretor deste filme era cego de um olho e não conseguia ver os efeitos em 3D de sua própria película.
Os efeitos desgradáveis, no entanto, ainda estavam presentes e muitos cinéfilos reclamavam de enjoos e dores de cabeça. O próximo filme que seria lançado nesta tecnologia seria Dial M for Murder (Disque M para Matar), um dos clássicos de suspense de Alfred Hitchcock. Mas como a rejeição do público era muito alta, a película foi lançada apenas em 2D, embora tenha sido produzida especialmente para exibições tridimensionais.
Muitos outros filmes se destacaram durante os anos 1950, incluindo produções da Disney e o clássico Sci-fi It came from outer space, considerado por muitos como uma das melhores produções em 3D da época. Mas o cinema 3D estava fadado a cair no ostracismo, tanto pela precária tecnologia quanto os altos custos, combinados com a falta de estrutura das salas de cinema para a projeção dupla necessária para as obras em 3D, e a cereja do bolo: funcionários de cinemas, responsáveis pela projeção, que deixavam umas das imagens sair de foco por alguns momentos, ou mesmo fora de sincronia, causando ainda mais efeitos negativos sobre a plateia.
Nos anos 1960 e 1970, a tecnologia 3D ficou limitada a algumas boas produções esparsas sem muita notoriedade, e um número consideravelmente maior de películas eróticas. Em 1966, um engenheiro e ex-militar desenvolveu o Space Vision, uma técnica mais barata para fabricar películas em 3D, e também mais eficaz para sua reprodução, uma vez que não exigia o uso simultâneo de dois projetores. Embora o público não tenha dado o retorno esperado de bilheteria, as vendas foram medianas e muitos outros métodos análogos surgiram na mesma época. Em 1967, foi feita a primeira demonstração de um equipamento IMAX, no Canadá, com as mesmas facilidades do Space Vision.
Somente nos anos 1980, o cinema 3D faz um retorno com filmes como Sexta-Feira 13 – parte 3, Tubarão 3D, entre outros, com bilheterias mais representativas e um incentivo para o desenvolvimento de técnicas que deram origem ao cinema 3D digital.
Nesse contexto, a IMAX dominou o mercado, desenvolvendo cada vez mais a sua tecnologia e construindo salas de exibição especialmente para este fim. Outras companhias seguiram a mesma tendência e a técnica foi cada vez mais melhorada, até chegar a 2009, com o fenômeno de bilheteria Avatar, de James Cameron. Avatar foi lançado não só para IMAX, como para RealD 3D, Dolby 3D, XpanD 3D. O grande avanço em relação às produções anteriores foi o uso de câmeras criadas especialmente para o filme, que simplesmente obteve a melhor bilheteria da história do cinema. Hoje, o 3D em cinemas é uma realidade, e a tecnologia continua a evoluir visivelmente.
Neste contexto, surge a TV 3D, com o objetivo de trazer essa qualidade para dentro de casa, e foco no mercado doméstico.
Dúvidas sobre 3D e saúde – Mitos e verdades
É preciso ter visão perfeita para assistir filmes em 3D?
Míopes enxergam 3D perfeitamente, precisando apenas utilizar, por baixo dos óculos elaborados para este fim, os óculos de grau ou lente de contato que usam normalmente. Pessoas com graves problemas de visão ou cegueira em um dos olhos não conseguirão enxergar os efeitos, uma vez que é necessária a visão nos dois olhos, que captam imagens diferentes. Estima-se que cerca de 5% das pessoas não consiga ver imagens em 3D. Os óculos 3D para cinema e para TVs são feitos com espaço e encaixe para que sejam usados por pessoas com ou sem óculos de grau por baixo, com conforto e eficiência.
E os daltônicos, também sofrem desse problema?
Isso vai depender do nível de daltonismo. Em geral, daltônicos conseguem ver imagens em 3D geradas pelas tecnologias mais atuais, utilizando lentes polarizadas, enquanto as que dependem das lentes tradicionais (vermelha e verde) não vão funcionar.
Por que algumas pessoas apresentam mal estar ao assistir filmes em 3D?
Aparentemente, os efeitos colaterais, que não atingem todas as pessoas mas uma parte delas, acontece porque os movimentos oculares não são os triviais, realizados normalmente. O objeto tridimensional, que literalmente sai da tela, faz com que os olhos percam a referência para a acomodação visual e para manter o foco. Em alguns casos, os efeitos colaterais mais incômodos só aparecem após um longo período de exposição; portanto, aconselha-se aos mais propensos que tirem os olhos das imagens que estão fora do foco principal da cena, e também descansem os olhos eventualmente, em uma cena menos emocionante, desviando-os por alguns segundos.
Funcionamento da TV 3D
O mecanismo utilizado nas TVs 3D é ainda mais complexo que o do cinema, já que é preciso realizar todo o processo dentro do equipamento. Os óculos não são os usados para a tela grande, de lente polarizada: eles são do tipo ativo, ligados ao aparelho por meio de um sensor infravermelho, que regula a exibição de imagens na tela para uma camada LCD na lente de cada um dos olhos, possibilitando uma sincronização perfeita, mas visões diferentes para cada lado, criando o mesmo efeito da dupla projeção.
Para que o efeito seja reproduzido, tudo deve ser 3D – o equipamento de leitura da mídia (Blu-Ray), o filme e a própria TV. Ainda não há previsão para o início de transmissões em 3D pelas grandes emissoras brasileiras.
Ainda não estão disponíveis no mercado, mas a próxima geração de TVs 3D dispensará o uso dos óculos, mas exigirá, em troca, que a pessoa que assiste assuma uma determinada posição no ambiente, a uma distância pré-determinada.
3D-Ready
Algumas TVs HD levam o selo 3D-ready, o que significa, em poucas palavras, que o equipamento pode exigir conteúdo 3D, mas não possui interface com os óculos ativos por infravermelho. Ou seja, será necessário adquiri-los em separado.
E a imagem 2D?
Não se preocupe – sua TV 3D pode exibir imagem 2D. Na verdade, ela o fará automaticamente, uma vez que constate a ausência de conteúdo 3D na transmissão.