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É possível adoecer de um país? Durante as sessões de psicanálise que formam os capítulos deste livro incisivo, os dramas íntimos cedem lugar no divã a desilusões políticas dolorosas.
As disfunções da vida pública viram aqui um problema pessoal dos mais agudos, a ponto de ameaçarem a saúde mental do angustiado e queixoso analisando criado por Wilson Alves-Bezerra. Motivos de reclamação não faltam, e é possível que muitos sejam compartilhados pelos leitores deste livro. Ficção à maneira de um desabafo, flertando às vezes com a imprecação, Vapor barato remói com amargor assumido os acontecimentos da história recente do Brasil.
Em sua prosa encrespada, transtornada com o país que chama ironicamente de “Esmerilhândia”, o protagonista do livro oscila entre abatimento e fúria, melancolia e surto. Mesmo naqueles momentos em que seu personagem extravasa sua raiva de modo mais direto, porém, Alves-Bezerra não oferece ao leitor qualquer tipo de catarse. Quanto mais desfia sua contrariedade, mais a fala ácida que se desdobra aqui parece girar em falso.
O leitor vira as páginas, mas tem a sensação de ser lançado a cada vez de volta ao mesmo lugar. Nessa prosa que se volta de modo insistente e aflitivo sobre si mesma, o autor sugere uma figuração possível para um país condenado à repetição sintomática. É sobretudo esse sintoma de dimensões continentais que não para de se repetir aqui, produzindo a certa altura um efeito insólito de desorientação temporal. Nem sempre é fácil dizer se aquilo que se lê diz respeito ao passado recente, àquilo que vai acontecendo naquele mesmo instante ou à imaginação de um futuro distópico. A indistinção entre fantasia e realidade deixa então de ser um problema interno à história que acompanhamos para tocar de modo perturbador nossa própria leitura.
Miguel Conde
| Editora | Iluminuras |
|---|---|
| Título | Vapor barato |
| Autor | Alves-Bezerra, Wilson |
| Número de páginas | 140 |
| Edição | 1 |
| Data de publicação | 17.01.2021 |
| Idioma | Português |
| Código do produto | ISBN-10 - 8573215968 GTIN-13 - 9788573215960 ISBN-13 - 9788573215960 |
| Peso do produto | 120.0 gramas. |
| Produto | (L x A x P): 13.5 x 20.5 x 7.0 cm. |
| Ano de Publicação | 2021 |
| Autor | Alves-Bezerra, Wilson |
| Dimensões do Produto | 13.5 x 20.5 x 7.0 cm |
| Editora | Iluminuras |
| Edição | 1 |
| ISBN | 9788573215960 |
| Idioma | Português |
| Número de Páginas | 140 |
| Peso do Produto | 120.0 gramas |
| Sinopse | É possível adoecer de um país? Durante as sessões de psicanálise que formam os capítulos deste livro incisivo, os dramas íntimos cedem lugar no divã a desilusões políticas dolorosas. As disfunções da vida pública viram aqui um problema pessoal dos mais agudos, a ponto de ameaçarem a saúde mental do angustiado e queixoso analisando criado por Wilson Alves-Bezerra. Motivos de reclamação não faltam, e é possível que muitos sejam compartilhados pelos leitores deste livro. Ficção à maneira de um desabafo, flertando às vezes com a imprecação, Vapor barato remói com amargor assumido os acontecimentos da história recente do Brasil. Em sua prosa encrespada, transtornada com o país que chama ironicamente de “Esmerilhândia”, o protagonista do livro oscila entre abatimento e fúria, melancolia e surto. Mesmo naqueles momentos em que seu personagem extravasa sua raiva de modo mais direto, porém, Alves-Bezerra não oferece ao leitor qualquer tipo de catarse. Quanto mais desfia sua contrariedade, mais a fala ácida que se desdobra aqui parece girar em falso. O leitor vira as páginas, mas tem a sensação de ser lançado a cada vez de volta ao mesmo lugar. Nessa prosa que se volta de modo insistente e aflitivo sobre si mesma, o autor sugere uma figuração possível para um país condenado à repetição sintomática. É sobretudo esse sintoma de dimensões continentais que não para de se repetir aqui, produzindo a certa altura um efeito insólito de desorientação temporal. Nem sempre é fácil dizer se aquilo que se lê diz respeito ao passado recente, àquilo que vai acontecendo naquele mesmo instante ou à imaginação de um futuro distópico. A indistinção entre fantasia e realidade deixa então de ser um problema interno à história que acompanhamos para tocar de modo perturbador nossa própria leitura. Miguel Conde |
| Título | Vapor barato |
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